domingo, 12 de julho de 2009


Cada árvore podada
é como arrancar a moldura de poesia
da fachada de nossa morada
é tirar da rua
o abrigo dos que cantam
sem nada receber
e nos avisam com alegria que é dia
antes mesmo do sol nascer
é tirar o alívio do calor
e o frescor da brisa
é tirar a pausa
do dia-a-dia
dos nossos olhos
a magia simples da vida

Podar uma árvore
é como arrancar

desfolhar

um Machado da estante

apenas para caber melhor

os livros de geometria

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Homenagem a E.M.

DE TODA TERRA EM QUE ANDA
O MAR SÓ DANÇA CIRANDA
NA ILHA DE ITAMARACÁ

E QUANDO O MAR CIRANDEIA
EU CIRANDEIO NA AREIA
EU CIRANDEIO NO MAR

ACHEI NA PRAIA UM MARISCO
COM A LETRA DO NOME DELA
DO LADO EU FIZ UM RABISCO
BOTANDO A MINHA CHANCELA

TIREI DA PALHOÇA UMA PALHA
FIZ UM CORDÃO DE PALMEIRA
FIZ DO MARISCO A MEDALHA
PRO COLO DA CIRANDEIRA

ENTREI NA RODA DA SORTE
BRINQUEI DE RODA COM ELA
A MOÇA É DE CASA FORTE
EU SOU DE CASA AMARELA

MAS FOI NA CASA DE LIA
NUMA CIRANDA PRAIEIRA
QUE EU VI MINHA ESTRELA-GUIA
NOS OLHOS DA CIRANDEIRA

(Lenine - Ciranda Praieira)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PARATY - 2009



Quando subi no palco
Minha voz ecoou
Como a imensidão do mar
E a força das minhas palavras
Criaram ondas
Que atingindo ao último espectador
Voltaram para mim em forma de rédeas
E eu tinha a multidão em minhas mãos

domingo, 5 de julho de 2009


Eu tenho um segredo:
possuo um demônio dentro de mim,
mas isso não é um erro
quem é que não o tem?
Se você não conhece o seu,
CUIDADO !
Ele pode estar mais presente
do que lhe convém,
Nesse exato momento
pode o estar alimentado
e chamando de meu bem.
Corra para o espelho e marque
uma hora de psicanálise,
e não se assuste ao perceber
em você personificada a maldade.
Se isto acontecer, relaxe!
Saia de casa, corra
tome um gatorade, banho
e durma o resto da tarde,
esse foi apenas o começo
da sincera realidade.
No mundo que vejo
Não encontro onde estou
Os meus sonhos
A realidade tirou
Tudo que eu apreço
Pago mais do que vale
Sem fixo endereço
Fico sem identidade

sábado, 4 de julho de 2009


Desculpe a quem sempre tiro meu chapéu
querido Cartola
é cedo sim
mas que amor?

dele ficam:
sujas minhas mãos de tinta;
secos meus olhos fixos;
vazio meu corpo estático;
preenchidas várias folhas antes em branco;
voos pela madrugada;
ancoro em portos duvidosos.

Atormentado pelo resquício
da obsessão
que não cessa
da obturação
que não feita
que durante a madrugada
resolvem me atacar
me deixando atônito
tenso, ligado
e tanto pra uma
quanto pra outra
não tenho para quem ligar
pois quem eu queria
que me atendesse
não tem interesse
em me curar


É amigo
comecei a entender a vida
estou arrumando as malas
e esperando sempre
pela próxima partida.

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Amanhece
mas não me ilumina

há música
mas a dança não é para mim

A valsa toca
não me tiram pra dançar

será que meus passos
não são mais adequados?

se fios me caem da fronte
e a cada manhã
enfeitam minha almofada
querem que eu aceite
que um punhado de mechas
diga que de moço
já não tenho nada

Hoje teve festa
mas dela só ouvi falar
não me convidaram
remanejaram
outros pés em meu lugar
e através das palavras
desse outro... vejo o salão
e imagino a platéia alucinada
cercando emocionada
aquela que um dia
já bailou pelas minhas mãos